19.3.07

Quando se caminha sem brilho

Já posso sentir o frio no vento da manhã. Caminhar na rua com a lembrança recente de geladas palavras que não voltam mais ao que eram. Pensamentos abstratos, diluídos na mente e que ao virar esse símbolo de algo que incomoda ou que martela ou que acomoda a aflição, já não volta a ser apenas o silêncio de momentos atrás. “Guarde para mais tarde”, é assim que ouvi. Não posso deixar que minhas palavras virem celas de uma prisão então tenho que evitar teimar pelo caminho de brilhantes. Perde um pouco da mágica, pois nunca desisti por achar que trariam o sapato em tamanho acertado para essa caminhada. E que não faltaria cumplicidade. Talvez tenha sido construído um mundo que não existe, e devo romper com esse jeito maldito de pensar. Vou perder os brilhos nos ventos frios das ruas. Vou perder trechos de belos sonetos nas manhãs comuns. Dias como qualquer outro, perder cena a cena os belos planos jamais feitos. Conviver com o cinza que me embalou e esquecer, como se meus olhos jamais tivessem visto, o colorido que surgiu quando já estava quase cego. A força me empurrou pra margem, e se falo outra língua que não separou palavras pra descrever o apelo, devo me agarrar num galho de espinhos que me arranham e que me farão aprender na dor e nas coisas comuns. Pode ser que eu seja salvo ou pode ser que acabe como sempre acabou. No fim das belas palavras, que secam, que somem até nada a ser. Até ser silêncio e vazio num coração.

Um comentário:

Unknown disse...

Eu quis ser eu mesmo, eu quis ser alguém, mas sou como os outros, que não são ninguém.